
Novos desafios
Constantemente somos desafiados a novas empreitadas. E ainda bem, porque elas nos estimulam para a vida e são bálsamo rejuvenescedor. Não tenho fugido das que me batem à porta, mas, depois de um bom pensar, resolvi lançar desafios aos mais jovens que se dedicam à pesquisa histórica e biográfica, esperando que sejam enfrentados por vários estudiosos porque as razões da convocação se me parecem justas, relevantes e necessárias.
Bem sei que há inúmeros temas e personalidades que merecem igual atenção para pesquisas e trabalhos acadêmicos, reportagens especiais, estudos biográficos e apreciação de crítica literária. Pesquisas dessa natureza costumam passar ao largo quando se trata de um intelectual que, ao mesmo tempo em que deixou contribuição literária também atuou no campo da política partidária, o que se dá talvez por preconceito ou intenção predeterminada de evitar a contaminação desses caminhos e receio de apreciar a trajetória política e como o intelectual se portou na vida pública em relação ao pensamento que expunha na academia, discursos, conferências ou no magistério.
Como primeiros desafios, apresento dois temas de pesquisa: “Vida e Obra de Arthur Cézar Ferreira Reis”, sem dúvida escritor de grande relevância, professor, jornalista, político que na juventude integrou o Partido Socialista Amazonense e que foi governador do Amazonas no período militar de 1964 a 1967; “Vida e Obra de Plinio Ramos Coelho”, professor, advogado, poeta, jornalista, orador, político em vários mandatos de parlamento estadual e federal e governador do Estado, o primeiro a exercer dois mandatos governamentais, antes mesmo do instituto da reeleição.
Escolhidos bem a propósito por algumas similaridades, especialmente por seus governos verdadeiramente transformadores da realidade socioeconômica do Estado, e pelo confronto que, no campo político, acabaram estabelecendo em curto mais tenso período.
Arthur Reis foi mais intelectual do que político, porém, chamado ao mandato em momento excepcional da vida nacional, não se furtou ao exercício do cargo majoritário e deixou marcas sensíveis na educação, saúde pública, organização administrativa do Estado e cultura, posições que reclamam avaliação isenta e despida de preconceitos ideológicos. Exerceu o governo sem interromper a produção de novos livros e conferências e a audaciosa defesa da integridade da nossa Amazônia como brasileira. A quem a Academia de Letras elegeu por duas vezes até que tomasse posse. Plinio Coelho, que rompeu com as estruturas político-partidárias advindas da Primeira República e da fase getulista, impondo-se como líder de massa, trabalhista, sindical, audacioso para o seu tempo e de práticas transformadoras, principalmente em seu mandato inaugural. Ao primeiro olhar foi mais político, mas seus artigos de jornal, discursos, mensagens de governo que ele mesmo fazia questão de manuscrever impõem a presença de um intelectual desenvolvimentista que o Amazonas reclamava na ocasião. A quem a Academia de Letras esperou por mais de vinte anos para empossá-lo, contrariando o estatuto em homenagem a sua trajetória singular.
Para ambos os casos, fico à disposição dos interessados para contribuir na elaboração do roteiro dos trabalhos, indicação de fontes, fornecimento de obras e documentos que possa dispor em meus modestos acervos, indicar pessoas para entrevistas e considerações sobre a personalidade de cada um desses importantes intelectuais.
Voltarei com outras provocações que, a meu sentir, são igualmente relevantes e necessárias para descobrir-se o véu que paira sobre a vida e a obra de muitas personalidades de alto relevo amazônico e sobre as quais não se justifica o silêncio.
