Magistrado.
Nasceu em Dom Pedro II, na então Província do Piauí, ao tempo da fase final do Império do Brasil, em 10 de março de 1886, e faleceu em Manaus, em 24 de setembro de 1942, sendo sepultado no Cemitério de São João Baptista.
Estudou na terra natal e depois no Pernambuco, formando-se na Faculdade de Direito do Recife, em 4 de dezembro de 1909. Em 1908, na Faculdade, foi aprovado com grau oito, plenamente, como era designada a aprovação da época, em todas as matérias, firmando-se com destaque entre outros colegas do mesmo nível, como Thomaz de Oliveira Lobo, Miguel Lopes da Costa Santos, Manoel Thomaz Gomes da Silva, Henrique Sérgio Farias, conforme noticiado pela imprensa do Recife.
Piauienses como Mourão, viveram no Amazonas, onde se projetaram como poetas e jornalistas, dentre outros, Jonas da Silva, Da Costa e Silva, Thaumaturgo Vaz, para citar alguns dos muitos que chegaram a Manaus em busca de oportunidades e dar contribuição ao desenvolvimento da região. O sonho do El-Dorado.
Chegou ao Amazonas em 1910, portanto, logo após concluir a formação jurídica, e pouco depois, a 12 de maio de 1910, foi nomeado promotor de Justiça do Município de Humaitá, ali permanecendo de 20 de janeiro de 1911 a 31 de dezembro de 1912. Em seguida, mesmo nomeado, não chegou a assumir o cargo de juiz de Direito de Manicoré, passando a exercer a advocacia pelas comarcas do rio Madeira.
Exerceu vários cargos relevantes na Administração Pública, inclusive o de Secretário Geral do Estado, espécie de vice-governador, em que permaneceu até 31 de agosto de 1918, quando, a pedido, foi substituído pelo Dr. Freitas Bastos, e passou ser chefe de Polícia.
Retornou à judicatura como juiz de Direito de Manaus, nomeado em 16 de julho de 1919, do qual se afastou temporariamente para ser chefe de Polícia até junho de 1920, quando foi substituído por Mário do Rego Monteiro, retornando à magistratura, e em 1921 era juiz do civil, realizando casamentos, mas depois amargou uma curta disponibilidade, em razão da extinção da Vara de que era titular, até que, em 6 de março de 1926 foi nomeado desembargador, do então Superior Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, em decorrência de reforma constitucional de 1926.
Em 1931, um episódio que se tornou conhecido como “Caso Eneida”, de concessão de ordem da Habeas Corpus a um cidadão estrangeiro, acusado de defloramento de uma comerciaria de nacionalidade brasileira, de cujo julgamento Mourão participou, levou a que o jovem interventor federal, Álvaro Maia, atendendo a uma grande mobilização popular, dissolvesse a composição do Tribunal, gerando grande tumulto jurídico e político, depois resolvido por Getulio Vargas com a exoneração de Álvaro, nomeação de Rogerio Coimbra com a missão de reconduzis os desembargadores afastados. Com ele, nesse processo de afastamento e recondução, estiveram os desembargadores Gaspar Guimarães, Vidal Pessoa, Arthur Virgílio e Anthero de Rezende, mas Mourão, inclusive porque na ocasião era o presidente do Superior Tribunal de Justiça do Amazonas, assumiu posição de destaque na defesa dos direitos do grupo, inclusive em juízo e junto ao chefe do governo federal. Atuou, de forma firme, também pela imprensa, inclusive a imprensa do Rio de Janeiro, São Luiz, Fortaleza, Recife, repercutindo o ato estranho do governador, visto que o assunto foi de amplo noticiário em várias capitais de estados brasileiros.
Retornando ao cargo, pouco depois assumiu a presidente da então Corte de Apelação, em cuja condição representou o Amazonas no Congresso Nacional Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 1936, juntamente com o desembargador Gaspar Vieira Guimarães, o juiz Manoel Carpinteiro Peres Júnior e o deputado Leopoldo Péres.
Foi membro de destaque da Maçonaria Amazonense, tendo chegado a Grão Mestre do Grande Oriente do Amazonas, posição em que se encontrava quando de seu falecimento. Por isso, a Ordem realizou sessão fúnebre, solene, a qual teria sido uma das mais emocionantes, da qual foi orador o Dr Waldemar Pedrosa, no dia 24 de outubro de 1942, presidida por Agnello Bittencourt.
Iniciado em 6 de outubro de 1917, na Loja “Amazonas”, foi eleito, por unanimidade, Grão-Mestre, em 24 de junho de 1935, para dirigir o Grande Oriente do Amazonas e Acre, quando expediu mensagem de elevada confiança nos destinos da Obediência e da Ordem Maçônica, o que está bem realçado no Boletim Maçônico que na sua edição de 24 de junho de 1937, realçou, mais uma vez, os méritos de Mourão, e foi reeleito, seguidamente, até o falecimento.
Pelo seu exemplar desempenho maçônico, recebeu distinções, como a de Membro Remido da Loja Arautos do Bem, de Lábrea, presidente da Suprema Corte de Justiça Maçônica, Diploma de Garante da Amizade da Grande Loja do Rio de janeiro.
Além da Maçonaria, Mourão integrou o Rotary Club e o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, como um dos fundadores, de cuja iniciativa em março de 1917, foi um dos maiores animadores, quando exercia o cargo de Secretário Geral do Estado, no governo de Pedro Bacellar, em relação ao qual teria travado amizade ainda em Humaitá, quando atuou na região e Bacellar foi médico e prefeito.
Há estudos esparsos e curtos, ainda que bem construídos sobre a vida e a obra de Hamilton Mourão, como conferência proferida pelo Dr. Waldir Garcia, na sede da Ordem dos Advogados, em Manaus, em 1960, o discurso de Waldemar Pedrosa, nas exéquias maçônicas, o encerramento da sessão feito por Agnello Bittencourt, o artigo de André Jobim, em “O Jornal”, de setembro de 1943, todos realçando o exercício digno da magistratura, a serenidade ao julgar, a boa formação jurídica e moral e ética e senso de justiça.
Casou-se em 31 de março de 1912, com Arminda Botelho Mourão com que tem os filhos Antônio Hamilton, que foi adido militar no exterior; Maria Arminda Mourão Machado, casada com João Pereira Machado Júnior, depois juiz e desembargador; Domingos Hamilton, categorizado consultor jurídico da Caixa Econômica Federal; Octávio Hamilton, professor, reitor da Universidade Federal do Amazonas e acadêmico, e Ana Arminda Mourão.
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