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Escritor, acadêmico.

Nasceu a 25 de abril, de ano incerto ainda não recuperado pelos memorialistas, foi poeta e jornalista, contribuindo com diversos jornais e revistas de Manaus, nos quais se pode ver poesias e crônicas de sua lavra, especialmente no período de 1910 a pouco mais de 1920.

Dentre outros trabalhos, escreveu:

     – Postal (poesia), Gazeta da Tarde, ano II, nº 208, Manáos, 13 de abril de 1914.

     – Musardise, Gazeta da Tarde, Manáos, ano II, nº 310, 27   de agosto de 1914.

     – O poeta, o artista (poesia), Gazeta da Tarde, 8 de setembro de 1914, nº 319, ano II.

     – Ecos de um concurso (folhetim), A Reação, 1º de agosto de 1920, nº 51.

Com Alfredo Carvalho publicou em 1912, pelo Instituto Universitário Amazonense, escola criada e dirigida por José Chevalier Carneiro de Almeida de quem era amigo, um livro de conferências sob o título: “O livro e o Estado”.

Na Academia Amazonense de Letras é o fundador da cadeira de Silvio Romero, constante da lista de organização da entidade, e ainda repetida na reforma do Estatuto de 24 de novembro de 1934, a mesma que passou a prever a transferência de categoria de efetivo para correspondente, por solicitação do interessado ou quando passasse a residir fora do território do Estado(art.4º).

Na revista da Academia de fevereiro de 1935, pode-se constatar sua transferência para a categoria de correspondente na forma de previsão estatutária, ao lado de Generino Maciel, Achilles Bevilacqua, Mendonça Lima e Aurélio Pinheiro, outros que, mais ou menos na mesma época, transferiram residência para fora do Amazonas. Foi para o Rio de Janeiro, deixando várias poesias publicadas nos jornais de Manaus, que carecem de reunião para edição especial.

                 Na organização do quadro de cadeira figurava em terceiro lugar, mas vamos encontrá-la em vigésimo segundo, conforme a relação do cinquentenário.

                  A poltrona foi depois ocupada por Aderson de Menezes, eleito sob a presidência de Péricles Moraes e empossado ao tempo da presidência de Waldemar Pedrosa, até abril de 1970, quando de sua morte. O ocupante atual é Newton Sabbá Guimarães, empossado em 5 de maio de 1973.

                  Deu-se à cadeira uma linhagem de juristas, filiando-se Aderson de Menezes, festejado professor e reitor da atual Universidade Federal do Amazonas, e o atual ocupante, acadêmico Newton Sabbá Guimarães, estudioso de línguas, mestre e doutor em direito por várias universidades brasileiras, filho de João Ribeiro Guimarães e Esther Sabbá Guimarães.         

                 Para registro vale reproduzir algumas poesias de Odilon Lima.

                             Postal

                 Elle inda canta, sim com esse amor,

          O mesmo amor intenso de outros dias,

          No seu peito revive o antigo ardor,

          O Orgulho antigo e a crença em que o sábias.

                 Do cárcere onde vives, ao rigor,

          Fora o embuste juntar-se: – não terias

          Jamais, Querida o mínimo calor.

          D’estes versos humildes que pedias.

                 E em pensamentos tristes, pobre amigo,

          A alma tua doente foi cobrindo

          E recordando a doce vida antiga.

                 Era a mentira, o quixotismo infindo…

          A vil bravata que a fraqueza abriga,

          Apenas isto… e eis-me outra vez sorrindo.

                             Musardise

                 Quizera ser o arminho,

          Que em caricias douradas,

             As tuas faces,

             De vagarinho

             Faz tão rosadas.

                 Quem dera que te adornasses

          Com as perlas quentes dos beijos

          Que eu te daria

          Si os meus desejos,

          De teu collar,

          Podessem todos um dia

          Ter o logar.

                             O Poeta, o Artista

                 “Le poéte est ciselem”; deve-lhe o verso

           Os tropheós encerrar rubros da lucta,

           A tortura de um bonzo submerso

           No nupterio da prece que o transmuta.

                 “Le ciselem est peéte”; é sangue asperso

           Em rubis e golcondas na alma bruta

           De um marmore indominado, e de ouro e terso

           Deve o plectro tanger que repercuta.

                 E a fama é o altar extraordinario erguido

          Sobre todas as coisas; e é do poeta

          O desejo de ser um indefinido.

                 Interprete da excelsa lei da fama,

          A fama pura, esplendida correcta

          Encadeando tudo a mais serena norma.

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